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RELATÓRIO DA ASSEMBLÉIA DO CONNEB EM PORTO ALEGRE – RS

ASSEMBLÉIA DO CONNEB

EM PORTO ALEGRE – RS 

RELATÓRIO RESUMIDO 

Data: 23 a 26 de julho de 2009

Local: Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul

 

Relator da Assembléia: Helio Ventura (CAD/RJ e Escritório Operativo Nacional) 

PROGRAMAÇÃO PREVISTA:

 

Dia 23 (noite): Abertura Solene

Dia 24 (manhã): Mesa Política

Dia 24 (tarde): GT’s (início)

Dia 25 (manhã): GT’s (continuação)

Dia 25 (tarde): Início da Plenária Final

Dia 26 (manhã): Encerramento da Plenária Final

 

TEMÁRIO PREVISTO:

 

  1. Ações Afirmativas e Políticas Públicas de Superação do Racismo (dois temas reunidos em um só);
  2. Espaços de Poder;
  3. LGBT;
  4. Economia;
  5. Política Internacional (que não foi discutido na Assembléia de Belém do Pará, em janeiro).

 

OBS.: A programação e o temário foram sugeridos a partir de reunião da Comissão Executiva Nacional, ocorrida no Escritório Operativo Nacional, no Rio de Janeiro, no dia 15 de julho de 2009, com a presença de Silvia Regina, representante da Comissão de Organização de Porto Alegre, levando em consideração o que havia sido previsto na Assembléia de Belém do Pará. A plenária de Porto Alegre teria a prerrogativa de indicar alterações.

 

Dia 23 de julho: 

Mesa de Abertura Solene: 

Após a saudação inicial feita por religiosos de matriz africana, foram homenageados o marinheiro João Cândido e o poeta Oliveira Silveira. O líder da Revolta da Chibata foi representado por seu neto João Cândido Felisberto Neto, o Candinho, e o poeta gaúcho e idealizador do feriado de 20 de Novembro pela atriz Vera Lopes. As trajetórias de ambos e alguns poemas de Oliveira Silveira foram lembradas, respectivamente, por Antelina Leomar e Sidnei Borges. Houve ainda uma apresentação artístico-cultural com o Coral CECUNE.

 

A Mesa da Abertura Solene foi composta por:

  • Deputado Estadual Raul Carrion (representando o Presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Ivar Pavan)
  • Beatriz Ribeiro dos Santos (Coordenadora do Programa de Governança Solidária Local, representando a Prefeitura de Porto Alegre)
  • Márcia Terezinha da Cruz Fernandes (Diretora Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – DIMPPIR, representando a Prefeitura de São Leopoldo)
  • Ana Honorato (Grupo Hospitalar Conceição / RS)
  • Edson Machado (Sindicato dos Servidores Federais do Rio Grande do Sul – SINDISERF/RS)
  • Vitor Hugo Amaro (Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado do Rio Grande do Sul – CODENE)
  • Yedo Ferreira (MNU/RJ, representando a Coordenação Executiva Nacional – CENA)
  • Pérola Sampaio (representando a Juventude Negra)
  • Luiz Mendes (representando a Coordenação Estadual do CONNEB/RS)
  • Emir Silva (MNU/RS)
  • José Antônio dos Santos Silva (UNEGRO/RS)
  • Clóvis André (representando a Prefeitura de Porto Alegre)
  • Marizar de Melo (Presidente do Sindicato dos Servidores Federais do Rio Grande do Sul – SINDISERF/RS)

 

Todos os oradores desejaram uma excelente assembléia. O destaque desta Mesa foi a fala de

Yedo Ferreira, do MNU/RJ, representando a Coordenação Executiva Nacional do CONNEB. Ele observou que este Congresso é o mais longo da história mundial, maior que o da China, que durou dois anos. Disse que a Construção do Projeto Político é enfatizando o povo negro pois não somos população, somos um povo, tendo nossos heróis, nosso poetas, etc., enfim, nossas características próprias, e que Projeto Político é luta pelo poder, pois se não há espaço para o negro é porque o projeto de nação do Brasil colocou negros e indígenas a sua margem. Finalizou lembrando Abdias Nascimento, Patrono do CONNEB, que disse que gostaria de estar em todas as plenárias do CONNEB, pois queria se despedir de seu povo no meio dele.

 

Dia 24 de julho: 

Mesa de Abertura Política: 

Esta Mesa foi composta por representantes das organizações que compõem a CENA:

Kátia (UNEGRO/RS, representando a Coordenação Estadual do CONNEB RS)

Pai Antonio Ferreira (CNAB/PA)

Marcos Resende (CEN/BA)

Gilbertinho (Círculo Palmarino/ES)

Paulo Rogério (UNEGRO/CE)

Egbomy

Conceição Reis d’Ogun (INTECAB/SP)

Marcos Cardoso (CONEN/MG)

Nuno Coelho (APN/SP)

Luiz Inácio Lula Silva da Rocha (FONAJUNE/ES)

Jorge Damião (CEAP/RJ)

Edson Luiz (ANCEABRA/SP)

Reginaldo Bispo (MNU/SP)

 

Em reunião, a CENA decidiu que todos os temas seriam discutidos na plenária, e não

em forma de GT’s, como previsto. Então, a nova programação ficou:

 

Dia 24 (tarde): Ações Afirmativas e Políticas Públicas de Superação do Racismo

Dia 25 (manhã): Economia (Trabalho, Geração de Renda, Empreendedorismo, etc.)

Dia 25 (tarde): Relações Internacionais (que não foi discutido na Assembléia de Belém do Pará, em janeiro)

Dia 25 (tarde): LGBT (dividindo o tempo da tarde com o tema anterior)

Dia 26 (manhã): Espaços de Poder (até 11:00h)

Dia 26 (manhã): Mesa de Encerramento (Encaminhamentos Finais)

 

Cada Mesa com um coordenador e ao menos um expositor com domínio sobre o tema.

 

Tema: Ações Afirmativas e Políticas Públicas de Superação do Racismo 

Composição da Mesa:

Cooedenador: Pai Antonio Ferreira (CNAB/PA)

Relatores:

Nuno Coelho (APN/SP) e Lia Vieira (ASPECAB/RJ)

Expositor:

Marcos Cardoso (CONEN/MG)

 

Marcos Cardoso (CONEN/MG):

Estatuto da Igualdade Racial: importante para a reflexão, pensar com seriedade, aprofundar isso, e não fazer disso um motivo de embate entre nós. Isso contribui para a formulação do Projeto Político. Demoramos tanto que o governo fez antes uma Conferência Nacional. Destacou as cotas e a luta contra a intolerância religiosa.

 

Após a fala do expositor, nas intervenções, foi observado que há quem discorde de fazer este debate no âmbito do CONNEB e o que tem sido implementado no país são políticas compensatórias, ou seja, contribuem para a reflexão, mas não colocam o negro em condições de igualdade com o restante da população, pois o racismo é estrutural. Já outros são da opinião que as políticas de ações afirmativas são uma conquista do nosso povo e que temos sim de construí-las, pois ações afirmativas e cotas são políticas mobilizadoras, e para construir a consciência se faz necessário alterar a realidade. Por estarmos estabelecendo uma contradição é que a burguesia é contra cotas. Houve ainda a constatação de que nesse modelo que temos de nação negros e indígenas estão de fora.

 

Tema: LGBTT 

Composição da Mesa:

Coordenação:

Marta Almeida (FONAJUNE e MNU/PE)

Expositor: Azul (RS)

Relatoria: Luiz Mendes (RS)

 

Azul (RS):

Perguntou como o CONNEB se posicionará quanto aos negros e negras homossexuais. Reconheceu que a religiosidade de matriz africana foi a comunidade que o aceitou, nesse mundo de ideologia cristã. Fomos concebidos numa ideologia machista e opressora. Este Estado oprime social, racial, religiosa e sexualmente.  Que solidariedade e mundo de igualdade é esse onde que não aceitamos o(a) próximo(a)? Mercado nenhum no país aceita o travesti, logo ele só pode se prostituir. Temos de abrir mão do machismo e de todo esse processo opressor. O negro pode até ser evangélico, mas se ouve o tambor bater mexe o pezinho! Ele disse ter sido formado em escola de padres. Questionou porque ele precisa declarar para sua família que é homossexual, mas sua família nunca precisou se reunir para dizer que é hetero. Isso é rotular. Já militou no hip hop, que sempre achou combativo, mas quando quis levantar o tema foi rechaçado. Disse que o mito do negro viril depõe contra o homossexual negro, e perguntou para a plenária quem nunca proferiu a pérola: “Você não pode ser isso, está envergonhando a raça!”. Disse que há pessoas que se dizem sensíveis, apóiam o movimento LGBTT, mas revela-se intransigente quando isso ocorre dento de casa. Disse ser filho de um estivador e uma doméstica, e pediu para as pessoas imaginarem como foi quebrar essa barreira com o pai sobre sua orientação sexual… Temos de trabalhar essa questão da diversidade.

 

Nas intervenções, falou-se da eliminação física dos homossexuais, que não aparece nas estatísticas, e da discriminação sofrida por lésbicas para serem atendidas no ginecologista. O ponto discordante foi o levantamento de uma questão: o racismo, o classismo e até a questão religiosa são ideologias de dominação e são estruturantes em todos os aspectos da sociedade, e há quem entende que a questão LGBT não possui o mesmo caráter.

 

Ao final, houve apresentação do Grupo Afro Axé Deré, formado por adolescentes e crianças, com danças inspiradas na religiosidade de matriz africana.

 

Dia 25 de julho: 

Antes do início dos trabalhos do dia, os homens fizeram uma homenagem ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, com poesia composta a várias mãos e declamada por todos os homens da plenária:

 

Ei você,Com seu tipo de macho,Teu olhar,Teu escracho.Por favor nem me venha! 

Sou Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha! 

Sou mãe,Trabalhadora,Lutadora…Homem, você não me detenha. 

Sou Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha! 

Mulher negra, mulher negra,Eu sou a própria lindeza! 

Sou Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha! 

Sou mulher negra,Jovem negra,Por favor, não se esqueça:A luta contra o racismo é da minha natureza! 

Sou Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha! 

Desde o outro lado eu vim.Nos meus seios,Os machos a sugar de mimA força vitalDas minhas tetas.Então, machista, se atenha. 

Sou Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha! 

Sou Iyá, Iabá,Sou Nanã, Yemanjá…Tenho Axé nas minhas veias,Não se esqueça: 

Sou Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha! 

Sou Dandara, Aqualtune, Nzinga,Zeferina, guerreira e rainha…Todos os homens se apeiam. 

Sou Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha! 

Tema: Economia 

Composição da Mesa:

Coordenador: Luiz Mendes (RS)

Expositores:

Reginaldo Bispo (MNU/SP), Maria de Lourdes (MNU/SC) e

Suzete Paiva (UNEGRO/RJ)

 

Reginaldo Bispo (MNU/SP):

É preciso pensar a economia. Procurou dar enfoque em trabalho e renda. A intervenção dele sempre foi sindical e ele foi nesta linha, para depois alguém entrar em empreendedorismo. Disse que a primeira questão é a subsistência das pessoas. É preciso criar mecanismos para dar vida digna às pessoas. Nos países desenvolvidos, como EUA, o desempregado recebe um valor para sua subsistência. O expositor começou com uma análise do Estado brasileiro, que não é democrático, pois não garante a dignidade de seus cidadãos, privilegiando uma parcela de sua população. Toda a legislação brasileira favorece o setor que detém todo o resultado da produção econômica. Não entrou em detalhes sobre escravidão e pós até 1945, quando houve decreto impedindo entrada de novos imigrantes. Ele procurou um acadêmico para tratar da questão racial e ambiental. Se a reparação fosse feita em dinheiro, o PIB do país não seria suficiente. Um automóvel popular no exterior custa 1/3 do que custa aqui. Prioriza-se uma faixa da população que tem mais condições e a maior parcela fica a míngua. O Bolsa Família ajudou pessoas no interior do país a se sustentar melhor, mas não há garantia de o programa tenha continuidade

em outro governo. Empresário não paga imposto, só o consumidor final. É necessário discutir uma política econômica, industrial e tributária que cobre impostos que se revertam para o país. É difícil avançar para uma democracia real sem garantir nenhum tipo de direito e condição de vida para a população como um todo. Disse que Barack Obama congelou os salários dos parlamentares, e aqui isso não seria aceito, e a população se vê obrigada a ter um salário mínimo ínfimo. O salário mínimo real deveria ser de aproximadamente R$ 2.000,00 (dois mil reais), e o maior salário algo em torno de 12 a 14 vezes esse valor.

 

Maria de Lourdes (MNU/SC):

Enfatizou que o Projeto é para o Brasil, não só para o povo negro. Nas escolas, enquanto o Projeto Político Pedagógico (PPP) não for incorporado pelos educadores ele não acontece. Os símbolos e os valores de nosso Projeto devem ser discutidos e internalizados. Ela tem discutido etno-sustentabilidade e etno-desenvolvimento, que são diferenciadas da lógica do capitalismo. Temos de resgatar uma rede de mercado de preço justo. Organizações internacionais estão discutindo isso. Queremos nos inserir na classe dominante ou propor uma alternativa que inclua todos e que vá no sentido da auto-sustentabilidade? No etno-desenvolvimento é a cultura que determina o que será produzido. Temos de libertar nosso corpo da opressão do trabalho. A burguesia não trabalha tanto para sobreviver. Como tem sido a rede de economia solidária? Falou do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo federal. O PAA é uma das ações do Fome Zero, cujo objetivo é garantir o acesso aos alimentos em quantidade, qualidade e regularidade necessárias às populações em situação de insegurança alimentar e nutricional e promover a inclusão social no campo por meio do fortalecimento da agricultura familiar. Os quilombolas são vistos como beneficiários, mas não como produtores. Isso deve mudar. O PAA tem de incorporar os quilombolas. Nós estamos incluídos nas propostas progressistas de um país mais justo? Não queremos a mesma lógica que está aí. Temos de ter um Projeto que nós possamos levar para todos os cantos do país como referência.

 

Enquanto reflexões, vimos que se pensamos um Projeto Político, temos de entender o papel da economia. A economia é determinada pelo modo de produção, e o nosso é capitalista. A economia sempre foi liberal. É o mercado que a regula. Qual é o papel do Estado nisso? Como será a produção da renda? Se não questionarmos, continuaremos nos moldes do capitalismo. O debate da economia não pode ser isolado. Como será a regulação do trabalho, a distribuição da renda, o acesso ao crédito, o preço justo? A economia não pode determinar a vida das pessoas, isso é papel da política. O empreendedor negro vai empreender pois não está no mercado formal. O modelo referencial de sociedade mais próximo que temos é Palmares. A partir da nação define-se a sociedade. Nosso Projeto começa em Palmares, mas vai mais além. O racismo é estruturante para o capitalismo e vice-versa.

 

Houve algumas propostas da plenária: a de que o Projeto Político deve ser de nação, pluriétnico e multicultural, e com sociedade produtiva socialista; a de que, ao término do CONNEB, temos de nos posicionar sobre algumas questões determinantes e apontar um plano mínimo de ação; houve sugestão para que

Ruth Pinheiro e Edson Luiz, por suas experiências e expertises, formulassem uma proposta de economia para o CONNEB.

 

Em sua fala final, Maria de Lourdes disse que Trabalho e Capital, como conceito marxista, não dá conta de nossas questões. Quem vive discutindo só em gabinetes e partidos não entende o que se passa nas periferias e comunidades quilombolas. Já

Reginaldo Bispo disse que temos de pensar estrategicamente como os recursos que vão para os capitalistas podem financiar o bem-estar da população em geração de empregos, educação, saúde, etc., e que não devemos descartar nenhuma das outras formas de produção, mas ter em vista que o nosso processo está sim dentro do processo capitalista e é sim reformista, ou vamos ficar esperando o capitalismo cair?

 

Tema: Relações Internacionais 

Composição da Mesa:

Coordenador:

Marcos Cardoso (CONEN/MG)

Expositores:

Ruth Pinheiro (CAD/RJ e Escritório Operativo Nacional),

Emir Silva (MNU/RS), Sidnei Borges (UNEGRO/RS) e Conceição (UFRGS)

 

Emir Silva (MNU/RS):

É um tema interdisciplinar e complexo. Conhecemos políticas diplomáticas e econômicas bilaterais, como o que o governo federal tem feito com países africanos. O que tem faltado é a solidariedade e a articulação a partir da luta social. São os fatores que nos dão referencial de luta, e o CONNEB tem este perfil. A diversidade do continente africano deve ser entendida, pois ele é completamente diferente do nosso. Devemos identificar quais os referencias autônomos africanos, quais os seus referenciais de luta. O Fórum Social Mundial foi uma oportunidade de aproximação com países africanos. A crise mundial, a eleição de Obama e o que isso representa, e o efeito do ominismo são hoje consideradas uma nova forma de relações internacionais da “marolinha” para o nosso povo. Os índices de morte por SIDA (AIDS) é enorme. É urgente a retirada das tropas brasileiras no Haiti. A intolerância religiosa é motivada por conta de nossos referenciais na África.

 

Ruth Pinheiro (CAD/RJ e Escritório Operativo Nacional):

Participou de alguns fóruns internacionais nas décadas de 1980 e 1990. Na época o movimento negro era bem forte, mas tínhamos a barreira da língua. Lembrou do Festival de Arte Negra em 1986/7, e agora haverá o FESMAN. Não temos uma relação com o Ministério das Relações Exteriores. A Nigéria sediou Congresso de Reparação em 1993, convidou o governo brasileiro, que respondeu que aqui não havia racismo. Hoje já há maior relação, principalmente os intercâmbios de estudantes. Hoje se você quiser viver em Gana recebe o visto, e quase ninguém sabe disso. Cruz Vermelha, ONU e outros órgãos freqüentemente fazem conferências, convidam representantes do movimento, mas são poucos os que ficam sabendo, e também fica difícil o translado. Temos de nos comunicar, na busca de apoio internacional. Tudo vem de fora para dentro, mas infelizmente os contatos internacionais ficam restritos a pequenos grupos.

 

Sidnei Borges (UNEGRO/RS):

O tema é pertinente ao CONNEB e a qualquer outra discussão. Teremos de demonstrar que Projeto de nação é este sugerido por nós. As relações são feitas entre sociedades. Nossa condição é a de povo negro na diáspora. Temos de levar

em consideração a Convenção 169 da OIT, pois trata da questão da terra. Relações internacionais e política externa: temos de tomar a questão como mais uma política pública compondo o interesse nacional. Qual é o nosso interesse capaz? Citou “tese de luta contra o imperialismo” e “teoria da independência”. O parâmetro de bem estar social já está obsoleto. A economia de mercado foi uma opção do Brasil. Em termos geopolíticos estratégicos, temos de ver Obama reativando tropas para patrulhar a costa caribenha.

 

Conceição (UFRGS):

Parabenizou as mulheres que reivindicaram sua presença na Mesa, e pelo significativo dia. Ela disse que pesquisou mais sobre África para participar de outro evento, procurando conhecê-la melhor. Quando falam em algo de ruim logo remetem à África. Temos de conhecer mais sobre outros povos, inclusive sua linguagem. Temos de ter relações de profundo respeito com os países africanos. Na UFRGS houve seminário promovido pelos estudantes de intercambio africanos. Na medida em que nos vemos como africanos morando fora de África temos de conhecê-los melhor.

 

Das intervenções, destacamos que algumas colocações, como a de que a questão do Haiti é entendida como primordial. Lembrou-se que o Haiti foi impedido de ser a primeira nação negra das Américas. Alguns defenderam abertamente a manutenção das tropas brasileiras no Haiti, por entender que seja uma missão de paz e por acreditar que foi uma estratégia da ONU enviar soldados brasileiros, pois aqui não há guerra e muitos dos soldados enviados também são negros. Já outros identificam que temos uma dívida com o Haiti, e a intervenção do governo é policialesca, como a feita aqui com nossos jovens, observando ainda que as tropas dos EUA também foram em missão de paz para o Iraque. Por fim, disseram que o Projeto Político deve se posicionar se defenderá ou não intervenções em outros países.

 

Foi colocado também que devemos incentivar o desenvolvimento econômico de países africanos. Acordos bilaterais de educação com a África também são importantes.

 

Após, houve manifestação de religiosos de matriz africana, com cânticos de axé.

 

Tema: Mulheres 

Obs.: Esta Mesa não estava prevista na programação original, mas por uma reivindicação das mulheres foi incorporada uma Mesa composta exclusivamente por mulheres, tratando de temas pertinentes a suas especificidades.

 

Composição da Mesa:

Coordenadora: Ana Honorato (Grupo Hospitalar Conceição / RS)

Expositoras: Mãe Angélica (CEDRAB-MNU); Egbomy

Conceição Reis d’Ogun (INTECAB/SP); Antelina Leomar (CEPIR); Elis Regina (FNMN); Silvia (SINDSPREV); Marcia (Dimpir);

Marta Almeida Filha (Jovens Negras Ferministas); Deise Benedito (Fala Preta!)

 

Foi dito pelas expositoras que “os camaradas” não querem estar ao lado delas, suas vozes são caladas sempre através da violência. Houve sugestão de que o CONNEB fosse composto de 50% de homens e 50% de mulheres e que isso fosse observado nas propostas de ocupação dos espaços de poder, da juventude, dos LGBT’s e dos religiosos. Foi dito ainda que necessitamos juntar nossas forças com o povo negro-indígena do Brasil. Outra sugestão foi a de que o CONNEB pense de fato em candidaturas negras nas próximas eleições, contemplando a equidade de gênero (50% / 50%). Também neste sentido, se propôs a construção de uma plataforma política específica para as mulheres negras, e elaborar carta de compromisso para que os candidatos assinem. Em observação às políticas de saúde, pediu-se que elas sejam incluídas de fato. Também pediu-se que a educação sexual seja implementada para que não seja necessário recorrer aos abortos clandestinos.

 

Foi informada a existência de uma rede de negras feministas no Yahoo Grupos, com o objetivo de organizar o 1º Encontro de Negras Feministas no final de novembro

em Salvador / BA.

 

Saindo um pouco do tema da mesa, houve proposta de se instalar um comitê popular para debater a reparação e para refazer o Estatuto da Igualdade Racial.

 

Dia 26 de julho: 

Tema: Espaços de Poder 

Composição da Mesa:

Coordenação: Gilbertinho (Círculo Palmarino / ES)

Expositores:

Flávio Jorge (CONEN/SP), Vera (Secretaria de Negras e Negros do PSTU) e Mãe Sandra.

 

Flávio Jorge (CONEN/SP):

A CONEN foi criada em 1991, e em novembro completa 18 anos. Espaço de poder não é algo dado, é sempre conquistado. O movimento negro tem procurado fazer isso. Devemos discutir o que é participação e o que é poder. Remeteu-se à época da ditadura militar, com Estado violento e repressivo, e os negros reunindo-se nos clubes de mães, fazendo lutas clandestinas, etc. Ele disse não ter participado nem da ARENA (Aliança Renovadora Nacional) nem do MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Em 1978 surge o MNU (Movimento Negro Unificado). Antes disso existia o IPCN (Instituto de Pesquisa das Culturas Negras), a Sociedade de Intercâmbio Brasil-África (SINBA), o Centro de Estudos Brasil África (CEBA), entre outros. Hoje nos organizamos

em vários locais. No início dos anos 1980 reorganizam-se os partidos. Em 1984 surge o Conselho da Comunidade Negra, com Ivair Augusto Alves dos Santos. Em 1988, no centenário da abolição, contrapomos os festejos oficiais, que comemorava uma libertação. Momento que impomos uma nova visão. Destacou a criação da

Fundação Cultural Palmares (1988). Lembrou da Marcha Zumbi 300, em 1995, e fez destaque para Helio Santos e GPDEL. Em 2002, Lula deu resposta à ausência de negros no governo, nomeando ministros negros. Em 2010 se encerra um ciclo. Poder se discute

em vários espaços. Tudo que temos de avanço foi fruto do movimento negro.

 

Vera (Secretaria de Negras e Negros do PSTU):

Achou interessante exposição de Flavinho. Sempre teve dificuldade em entender o que isso significa para nossa luta. O negro já nasce de esquerda, para ele se tornar um lutador de esquerda depende da sua formação. Quase todas as organizações negras surgiram neste embate pelos espaços de poder. O maior avanço na luta dos trabalhadores foi o surgimento do PT, que acolheu os oprimidos pela ditadura. Porque isso é importante? Para não perdermos o marco da história: não há capitalismo sem racismo (Malcon X). Para nós implementarmos o Projeto, antes temos de fazer um embate à estrutura de poder colocada, que é branca. Os negros começam a entrar nas estruturas, mas elas continuam sendo mandadas por quem tem o poder econômico. Quando ela falou que o presidente dos EUA é negro mas a Casa continua branca foi nesse sentido. E o mesmo se dá no Brasil. Isso deve ser discutido. Nós precisamos dar um basta. Todos compreendemos o que é ser negro numa sociedade onde somos os mais explorados e massacrados. Temos de ir às ruas e nos organizar nacional e internacionalmente. Declamou o poema Gravata Colorida, de Solano Trindade: “Quando eu tiver bastante pão / para meus filhos / para minha amada / pros meus amigos / e pros meus vizinhos / quando eu tiver / livros para ler / então eu comprarei / uma gravata colorida / larga / bonita / e darei um laço perfeito / e ficarei mostrando / a minha gravata colorida / a todos os que gostam / de gente engravatada…”. Finalizou dizendo que o povo negro precisa é de luta e organização, não de gravata colorida.

 

Mãe Sandra:

Fez saudação religiosa. Considera importante o resgate histórico feito por Flavinho. Temos de discutir o poder, pautado em três pontos: econômico, religioso e político. Estas três estruturas são a base do poder nas sociedades capitalistas. Não temos nenhum deles. Em que sociedade queremos discutir espaços de poder? De que forma queremos discutir se não temos nenhum destes pontos do tripé? É fato que o movimento negro avançou, que construímos secretarias, que avançamos nos debates, mesmo implementado pouco. Queremos construir o Projeto para que o braço do Legislativo tenha eco no que queremos, que tenhamos participação política, para podermos definir os eixos econômicos deste país. Este é o nosso desafio, de pesar um novo processo econômico, um novo poder político, e o eixo pode ser o da religiosidade de matriz africana, por ter outras perspectivas. Ele é eixo para articulação com o poder econômico e político, desde África. Nosso desafio é esse, metermos a mão na massa. Não temos como construir um Projeto com o poder constituído nessa sociedade, que nos esmaga e não nos reconhece. Para discutir espaços de poder precisamos fazer ruptura com o poder hoje estabelecido, que detém o tripé e nós não estamos inseridos. Reafirmou que temos de discutir que espaço de poder queremos. Se nós dizemos que queremos um Projeto, temos de discutir a estratégica política e econômica para isso. Nenhuma mudança de sociedade se deu através do parlamento, mas por revoluções.

 

Os inscritos para o debate deram suas opiniões. Foi dito que temos de ter mais “parlamentares negros”, ou seja, comprometidos com a causa, não apenas “negros parlamentares”, o que é bem diferente. Que dentro dos partidos nossos companheiros negros não são bancados. Que não basta apenas garantir o ouro pessoal, mas ter a compreensão da estrutura de dominação que existe sobre nós. O Projeto Político é luta pelo poder.

 

Mesa de Encerramento da Assembléia: 

Coordenação: Pai Antônio Ferreira (CNAB/PA)

Relatora: Egbomy

Conceição Reis d’Ogun (INTECAB/SP)

 

OBS.: Os representantes da delegação do Rio de Janeiro falaram na frente porque tiveram de se ausentar para se encaminhar ao aeroporto.  

Composição da Mesa:

Jorge Damião (CEAP/RJ)

Haroldo Antônio (MNU/RJ)

Luiz Inácio Lula Silva da Rocha (FONAJUNE/ES)

Marcos Resende (CEN/BA)

Nuno Coelho (APN/SP)

Paulo Rogério (UNEGRO/CE)

Egbomy

Conceição Reis d’Ogun (INTECAB/SP)

Mãe Sandra

Kátia (UNEGRO/RS, representando a Coordenação Estadual do CONNEB RS)

Gilbertinho (Círculo Palmarino/ES)

 

Lula e Pérola Sampaio, representando a Juventude Negra, leram um manifesto contra o extermínio da Juventude Negra do Brasil (

em anexo). Ao final da leitura, convocou o CONNEB a participar no lançamento nacional da campanha nacional contra o extermínio da juventude negra, que será lançado

em Salvador / BA em setembro de 2009.

 

Gilbertinho pediu para que este relatório lembrasse os aproximadamente 450 delegados que não puderam estar presentes em Porto Alegre.

 

A Comissão Executiva Nacional (CENA) fez indicativo de data da Plenária Final do CONNEB

em Salvador / BA: de 26 a 29 de novembro de 2009. Foi tirada uma comissão para já começar a viabilizar junto à Comissão Organizadora local a Assembléia Nacional de Salvador:

Yedo Ferreira (MNU/RJ),

Jorge Damião (CEAP/RJ), Haroldo Antônio (MNU/RJ), Edson Luiz (ANCEABRA/SP), Gilbertinho (Círculo Palmarino/ES) e

Marcos Cardoso (CONEN/MG), Pai Antônio Ferreira (CNAB/PA) e

Marcos Resende (CEN/BA).

 

Houve proposta para se marcar uma reunião da Coordenação Política Nacional (COPON).

 

Ao final da Assembléia de Porto Alegre, foi reconhecido o trabalho da Comissão Organizadora local. Muitos a consideraram a melhor assembléia do CONNEB já realizada até aqui, principalmente porque se passou da discussão da metodologia para a discussão das propostas propriamente ditas rumo à construção do Projeto Político do Povo Negro para o Brasil.

 

 

ANEXOExtermínio da Juventude Negra BrasileiraNós, negras e negros, reunidos/as na Assembléia Nacional do Congresso de Negras e Negros do Brasil – CONNEB, nos dias 23 a 26 de julho de 2009, em Porto Alegre/RS, reafirmamos que a luta contra o extermínio da juventude negra é essencial no processo de enfrentamento ao racismo.Pesquisa divulgada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, UNICEF e Observatórios de Favelas, na última terça-feira (21/07), afirma que mais de 33.5 mil jovens deverão ser executados de 2006 a 2012. Os estudos ainda apontam que, os jovens negros apresentam risco quase três vezes maior de serem executados em comparação aos brancos.Essa situação, infelizmente, há tempos vem sendo denunciada pelo movimento social negro

em nosso país. O extermínio vivido pela nossa juventude é fruto de um modelo de Estado racista que não dá conta de resolver os problemas estruturais secularmente sofridos pelo povo negro, sobretudo pela juventude que amarga os piores indicadores sociais e segue alijada em nossa sociedade.Não podemos mais admitir que o sangue de jovens negros/as continue jorrando no chão das periferias brasileiras. Não podemos mais aceitar que a lógica do modelo econômico e do racismo determine a morte de nossos irmãos e irmãs em todos os cantos do país. É preciso dar uma basta!Por isso, reafirmamos nossa luta contra o extermínio da juventude negra e convocamos os setores comprometidos com a superação do racismo a se juntarem conosco na busca de um presente e um futuro melhor para o nosso povo.Porto Alegre/RS, 26 de julho de 2009.

Morre Patrono do CONNEB Abdias Nascimento

Morre Abdias do Nascimento, o mais importante pensador e ativista do movimento negro no Brasil

Infelizmente morreu em 24 de maio de 2011 o mais importante pensador e ativista do movimento negro, Abdias do Nascimento, Patrono do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil - CONNEB, uma verdadeira lenda. Pesquisador, dramaturgo, professor, artista plástico, escritor e poeta, Abdias do Nascimento foi senador e secretário de estado no RJ, professor emérito da Universidade do Estado de Nova York, professor visitante na Universidade de Yale e no Departamento de Línguas e Literaturas da Universidade de Ifé, na Nigéria. Fundou em 1944 o Teatro Experimental do Negro no Rio de Janeiro. É autor de mais de uma dezena de publicações sobre racismo e suas peças teatrais e religiosidade foram desenvolvidas tendo como centralidade as matrizes africanas. Nossas mais sinceras condolências. Devemos render todas as merecidas homenagens ao nosso grande e já saudoso ícone de um povo, tão importante para a luta antidiscriminatória de nosso país. Já nos faz muita falta. Ele continuará vivo dentro do coração de cada ativista. Força nesse momento e muito Axé para seus familiares, principalmente nossa querida Eliza Larkin Nascimento.

 “” Abdias do Nascimento não é um patrimônio só do Brasil.
Ele é um patrimônio de toda a humanidade.”
- Senador Paulo Paim, Alvorada, RS, novembro de 2002.

Recomendamos a leitura da maravilhosa biografia feita por Éle Semog, publicada pela Editora Pallas: Abdias – o Griot e as Muralhas.

Dois vídeos também mostram um pouco a face humana e a história desse ativista:
http://www.youtube.com/watch?v=kjT-nbvV0uE
http://www.youtube.com/watch?v=fvSvdDwvVaw&feature=related

 

Perda para todos nós…
Perda para toda Diáspora Africana
Perda para os povos da Terra Mãe


Abdias Nascimento: Aquele que Fez a Coisa Certa!


IPEAFRO informa e agradece as mensagens de condolências

Abdias Nascimento

O corpo do Professor Abdias Nascimento será velado na

Câmara Municipal do Rio de Janeiro (Praça Floriano nº 1 – Cinelândia),

nesta quinta-feira, dia 26/05, no horário das 18h. às 23h., e
na sexta-feira, dia 27/05,
das 6h. às 11h.



Jornalista e militante do movimento negro, Abdias falece aos 97 anos no Rio de Janeiro

[Extraído de SEPPIR lamenta morte de Abdias Nascimento]

Faleceu na manhã desta terça-feira, 24, no Rio de Janeiro, Abdias Nascimento, grande ativista na luta contra o racismo e as desigualdades raciais no Brasil e no mundo. O paulista que nasceu em Franca, em 1914, cresceu em uma família pobre, porém muito organizada e carinhosa. Formou-se em contabilidade pelo Atheneu Francano, em 1929.

Com 15 anos, alista-se no exército e vai morar na capital São Paulo. Na década dos 1930, engaja-se na Frente Negra Brasileira e luta contra a segregação racial em estabelecimentos comerciais da cidade. Prossegue na luta contra o racismo, organizando o Congresso Afro-Campineiro em 1938. Funda em 1944, o Teatro Experimental do Negro, entidade que patrocina a Convenção Nacional do Negro em 1945-46.

A Convenção propõe à Assembléia Nacional Constituinte de 1946 a inclusão de políticas públicas para a população afrodescendente e um dispositivo constitucional definindo a discriminação racial como crime de lesa-pátria.

À frente do TEN, Abdias organiza o 1º Congresso do Negro Brasileiro em 1950.


Militante do antigo PTB; após o golpe de 1964, participa, desde o exílio, da formação do PDT. Já no Brasil, lidera em 1981, a criação da Secretaria do Movimento Negro do PDT.
Na qualidade de primeiro deputado federal afrobrasileiro a dedicar seu mandato à luta contra o racismo (1983-87), apresenta projetos de lei definindo o racismo como crime e criando mecanismos de ação compensatória para construir a verdadeira igualdade para os negros na sociedade brasileira. Como senador da República (1991, 1996-99), continua essa linha de atuação.

O Governador Leonel Brizola o nomeia Secretário de Defesa e Promoção das Populações Afrobrasileiras do Estado do Rio de Janeiro (1991-94). Mais tarde, é nomeado primeiro titular da Secretaria Estadual de Cidadania e Direitos Humanos (1999-2000).

No dia 10 de maio, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro lançou a 1ª edição do Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento, que marca atividades relativas ao Ano Internacional dos Afrodescendentes, declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O prêmio visa estimular, anualmente, a cobertura jornalística qualificada sobre temas relacionados à população negra.

Com informações do site http://www.abdias..com.br/

Leia também Jornalistas lançam Prêmio Abdias Nascimento

No ano 2009 houve uma grande mobilização nacional e no mundo com a indicação de Abdias Nascimento para o Prêmio Nobel da Paz.  No ano de 2006, seu amigo Aimé Césaire havia sido indicado para o mesmo Prêmio.  Essas lideranças negras, Griots, não lograram o  Nobel.

Fonte: https://mail.google.com/mail/?hl=pt-BR&shva=1#inbox/13024b741b53e5e9

 

Morre Abdias do Nascimento

Internado há um mês, dramaturgo, político e escritor de 97 anos lutou pelos direitos dos negros

25 de maio de 2011 | 0h 00

 

Wilson Tosta e Tiago Rogero / RIO - O Estado de S.Paulo

Um dos pioneiros do movimento de luta contra a discriminação racial no Brasil, o ator, diretor, dramaturgo e político Abdias do Nascimento morreu ontem no Hospital Federal dos Servidores, no Rio de Janeiro, aos 97 anos, de insuficiência cardíaca - era hipertenso e diabético. Perseguido pela ditadura, precisou deixar o País no fim dos anos 60 e, depois de voltar ao Brasil, engajou-se na militância partidária, pela legenda do PDT, tendo sido deputado e senador. Sempre que tinha oportunidade, denunciava a situação de inferioridade social dos negros brasileiros. Abdias morreu após cerca de um mês de internação.

Nascido em Franca (SP) em 1914, Abdias é considerado responsável pela criação do Teatro Experimental do Negro (TEN), atuante no Rio de Janeiro de 1944 a 1968 e considerada a primeira companhia teatral brasileira aberta a promover a inclusão do artista afrodescendente. Antes disso, começara sua militância pela causa da igualdade racial no Brasil - tabu na época - aos 16 anos, em 1930, quando se integrou à Frente Negra Brasileira.

Depois de participar do 1º Congresso afro-campineiro, que discutiu como resistir à discriminação no Brasil, Abdias, no início dos anos 40, foi a Buenos Aires, onde assistiu a O Imperador Jones, de Eugene O”Neill, cujo protagonista negro era vivido por um branco maquiado. A partir desse episódio, passou a refletir sobre a mesma situação no teatro brasileiro e começou a pensar a criação de um teatro para valorizar os artistas negros brasileiros. De volta ao Brasil após um período estudando no Teatro del Pueblo, teve de esperar para colocar a ideia em prática: foi preso por crime de resistência, anterior à viagem, e levado ao Carandiru. Mesmo ali, não cessou sua militância, criando o Teatro do Sentenciado.

O TEN foi aberto com apoio de outros artistas e intelectuais, ministrando cursos de interpretação e até aulas de alfabetização e introdução à cultura geral, para formar atores negros. O espetáculo de estreia foi o mesmo O Imperador Jones, em 1945. Depois, como ator, participou de mais duas peças de O”Neill: Todos os Filhos de Deus Têm Asas e O Moleque Sonhador. Em 46, na comemoração de dois anos do TEN, protagonizou um trecho de Otelo, de Shakespeare, com Cacilda Becker.

Ironicamente, a discriminação o atingiria em 1948, quando com o nome profissional como ator em ascensão foi cogitado por Nelson Rodrigues para viver Ismael, o protagonista de Anjo Negro. Nenhum teatro consagrado admitiu ter uma peça cujo ator principal seria negro. O “grande negro de ventas triunfais” sonhado por Nelson teve de ser interpretado por Orlando Guy, com o rosto tingido.

Sob o regime militar, exilou-se de 1968 a 1978, atuando como conferencista, professor e escritor. Entre seus livros estão Sortilégio, Dramas Para Negros e Prólogo Para Brancos, O Negro Revoltado. De volta ao Brasil, engajou-se na política. Foi deputado federal de 1983 a 1987 e senador da República de 1997 a 1999, ligando-se fortemente ao Movimento Negro Unificado (1978). Em 2006, em São Paulo, instituiu o dia 20 de novembro como a data oficial da consciência negra. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110525/not_imp723645,0.php

 

 

Página Eletrônica Oficial de Abdias do Nascimento

 

Nasce em Franca, SP, em 1914, o segundo filho de Dona Josina, a doceira da cidade, e Seu Bem-Bem, músico e sapateiro. Abdias cresce numa família coesa, carinhosa e organizada, porém pobre, e vai se diplomar em contabilidade pelo Atheneu Francano em 1929.
Com 15 anos, alista-se no exército e vai morar na capital São Paulo. Na década dos 1930, engaja-se na Frente Negra Brasileira e luta contra a segregação racial em estabelecimentos comerciais da cidade. Prossegue na luta contra o racismo organizando o Congresso Afro-Campineiro em 1938. Funda em 1944 o Teatro Experimental do Negro, entidade que patrocina a Convenção Nacional do Negro em 1945-46.

A Convenção propõe à Assembléia Nacional Constituinte de 1946 a inclusão de políticas públicas para a população afro-descendente e um dispositivo constitucional definindo a discriminação racial como crime de lesa-pátria.

À frente do TEN, Abdias organiza o 1º Congresso do Negro Brasileiro em 1950.
Militante do antigo PTB, após o golpe de 1964 participa desde o exílio na formação do PDT. Já no Brasil, lidera em 1981 a criação da Secretaria do Movimento Negro do PDT.

Na qualidade de primeiro deputado federal afro-brasileiro a dedicar seu mandato à luta contra o racismo (1983-87), apresenta projetos de lei definindo o racismo como crime e criando mecanismos de ação compensatória para construir a verdadeira igualdade para os negros na sociedade brasileira. Como senador da República (1991, 1996-99), continua essa linha de atuação.

O Governador Leonel Brizola o nomeia Secretário de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras do Estado do Rio de Janeiro (1991-94). Mais tarde, é nomeado primeiro titular da Secretaria Estadual de Cidadania e Direitos Humanos (1999-2000).
Entre peças teatrais, poesia, ensaios e trabalhos de pesquisa, Abdias tem mais de 20 livros publicados de sua autoria. Também organizou revistas, antologias e coletâneas que registram a sua atuação cívica e cultural, bem como as realizações das entidades que criou. Sua peça Sortilégio tem duas versões, ambas traduzidas ao inglês.

OBRAS PUBLICADAS E SELECIONADAS

LIVROS

Quilombo: Edição em fac-símile do jornal dirigido por Abdias do Nascimento. São Paulo: Editora 34, 2003.

O quilombismo, 2ª ed. Brasília/ Rio de Janeiro: Fundação Cultural Palmares/ OR Produtor Editor, 2002.

O Brasil na Mira do Pan-Africanismo. Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais/ Editora da Universidade Federal da Bahia EDUFBA, 2002.

Orixás: os Deuses Vivos da África/ Orishas: the Living Gods of Africa in Brazil. Rio de Janeiro/ Philadelphia: Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros/Temple University Press, 1995.

A Luta Afro-Brasileira no Senado. Brasília: Senado Federal, 1991.

Africans in Brazil :a Pan-African Perspective, com Elisa Larkin Nascimento. Trenton: Africa World Press, 1991.

Brazil: Mixture or Massacre, trad. Elisa Larkin Nascimento. Dover: The Majority Press, 1989.

Combate ao Racismo, 6 vols. Brasília: Câmara dos Deputados, 1983-86. (Discursos e projetos de lei.)

Povo Negro: A Sucessão e a “Nova República”. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1985.

Jornada Negro-Libertária. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1984.

Axés do Sangue e da Esperança: Orikis. Rio de Janeiro: Achiamé e RioArte, 1983. (Poesia.)

Sitiado em Lagos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.

O Quilombismo. Petrópolis: Vozes, 1980.

Sortilégio II: Mistério Negro de Zumbi Redivivo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. (Peça de teatro.)

Sortilege: Black Mystery, trad. Peter Lownds. Chicago: Third World Press, 1978.

Mixture or Massacre, trad. Elisa Larkin Nascimento. Búfalo: Afrodiaspora, 1979.

O Genocídio do Negro Brasileiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.

“Racial Democracy” in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 2ª ed. Ibadan: Sketch Publishers, 1977.

“Racial Democracy” in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 1ª ed. Ile-Ife: University of Ife, 1976.

Sortilégio (mistério negro). Rio de Janeiro: Teatro Experimental do Negro, 1959. (Peça de teatro.)


Organização de antologias, revistas, e obras coletivas

Thoth:Pensamento dos Povos Africanos e Afrodescendentes, nos. 1-6. Brasília: Senado Federal, 1997-98..

Afrodiaspora: Revista do Mundo Africano, nos. 1-7. Rio de Janeiro: IPEAFRO, 1983-86.

O Negro Revoltado, 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.

Journal of Black Studies, ano 11, no. 2 (dezembro de 1980) (número especial sobre o Brasil).

Memórias do Exílio, org. em colaboração com Paulo Freire e Nelson Werneck Sodré. Lisboa: Arcádia, 1976.

Oitenta Anos de Abolição. Rio de Janeiro: Cadernos Brasileiros, 1968.

Teatro Experimental do Negro: Testemunhos. Rio de Janeiro: GRD, 1966.

Dramas para Negros e Prólogo para Brancos. Rio de Janeiro: TEN, 1961.

Relações de Raça no Brasil. Rio de Janeiro: Quilombo, 1950.


Participação em antologias e obras coletivas

“Teatro Experimental do Negro: trajetória e reflexões”. Revista do Instituto de Estudos Avançados, USP 18(50), 2004, p. 209-224.

“Comentário ao Artigo 4º”, in Direitos Humanos: Conquistas e Desafios. Brasília: Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil/ Comissão Nacional de Direitos Humanos, 1998.

“Quilombismo: the African-Brazilian Road to Socialism,” in Asante, Molefi K. e Abarry, Abu S., orgs., African Intellectual Heritage: a Book of Sources. Philadelphia: Temple University Press, 1996.

Sortilege: Black Mystery, trad. Peter Lownds. Callaloo, A Journal of African-American and African Arts and Letters, v. 18, n. 4 (1995). Special Issue, African Brazilian Literature. Johns Hopkins University Press.

Sortilege II: Zumbi Returns (peça dramática) in Crosswinds: an Anthology of African Diaspora Drama, ed. de William B. Branch. Bloomington: Indiana University Press, 1991.

“Quilombismo: the African-Brazilian Road to Socialism,” in African Culture: the Rhythms of Unity, ed. Molefi K. Asante e Kariamu W. Asante. Trenton: Africa World Press, 1990. (Primeira edição publicada em 1987 pela Greenwood Press.)

“Teatro Negro del Brasil: una Experiencia Socio-Racial,” in Popular Theater for Social Change in Latin America, a Bilingual Anthology, ed. by Gerardo Luzuriaga. Los Angeles: UCLA Latin American Studies Center, 1978.

“African Presence in Brazilian Art,” Journal of African Civilizations 3:2 (novembro de 1981).

“Reflections of an Afro-Brazilian,” Journal of Negro History LXIV:3 (verão 1979).

“Afro-Brazilian Theater, a Conspicuous Absence,” Afriscope VII:1 (Lagos, janeiro de 1977).

“Afro-Brazilian Art: a Liberating Spirit,” Black Art: an International Quarterly I:1 (outono de 1976).

“Open Letter to the First World Festival of Negro Arts,” Presence Africaine XXX:58 (verão de 1968).

“Carta Aberta ao Festival Mundial das Artes Negras,” Tempo Brasileiro, ano IV, número 9/10 (abril-junho de 1966).

“The Negro Theater in Brazil,” African Forum II:4 (primavera de 1967).

“Mission of the Brazilian Negro Experimental Theater,” The Crisis 56:9 (outubro de 1949).

 

Fonte: http://www.abdias.com.br/index.htm

 

Abdias do Nascimento

Abdias do Nascimento (Franca, 14 de março de 1914 — Rio de Janeiro, 24 de maio de 2011[1]) foi um político e ativista social brasileiro.

Foi um dos maiores defensores da cultura e igualdade para as populações afrodescendentes no Brasil, nome de grande importância para a reflexão e atividade sobre a questão do negro na sociedade brasileira. Teve uma trajetória longa e produtiva, indo desde o movimento integralista, passando por atividade de poeta (com a Hermandad, grupo com o qual viajou de forma boêmia pela América do Sul), até ativista do Movimento Negro, ator (criou em 1944 o Teatro Experimental do Negro) e escultor.

Após a volta do exílio (1968-1978), insere-se na vida política (foi deputado federal de 1983 a 1987, e senador da República de 1997 a 1999), além de colaborar fortemente para a criação do Movimento Negro Unificado (1978). Em 2006, em São Paulo, criou o dia 20 de Novembro como o dia oficial da consciência negra. Recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de Brasília.[2] Autor de vários livros: “Sortilégio”, “Dramas Para Negros e Prólogo Para Brancos”, “O Negro Revoltado”, e outros.[3]

Foi também professor benemérito da Universidade do Estado de Nova Iorque.[4]

Foi casado quatro vezes. Sua terceira esposa foi a atriz Léa Garcia, com quem teve dois filhos, e a última a norte-americana Elizabeth Larkin, com quem teve um filho.

 

Publicações

  • “Africans in Brazil: a Pan-African perspective” (1997)
  • “Orixás: os deuses vivos da Africa” (Orishas: the living gods of Africa in Brazil) (1995)
  • “Race and ethnicity in Latin America - African culture in Brazilian art” (1994)
  • “Brazil, mixture or massacre? essays in the genocide of a Black people” (1989)
  • “Sortilege” (black mystery) (1978)
  • “Racial Democracy in Brazil, Myth or Reality?: A Dossier of Brazilian Racism” (1977)

Filmografia

  • Cinema de Preto (2005)
  • Cinco Vezes Favela (1962)
  • Terra da Perdição (1962)
  • O Homem do Sputnik (1959)

Referências

  1. ? http://www.atarde.com.br/cultura/noticia.jsf?id=5726608/
  2. ? Universidade de brasília.
  3. ? *Joseph A. Page (1995), The Brazilians. Da Capo Press. ISBN 0-201-44191-8.
  4. ? Biografia.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Abdias_do_Nascimento#cite_note-0

 

RELATÓRIO DA REUNIÃO DA CENA CONNEB NO RJ: 30/04/2011

REUNIÃO DA COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO CONNEB (CENA)

 

Data: 30 de abril de 2011

Local: SINDSPREV Rio de Janeiro

Endereço: Rua Joaquim Silva, 98 – Lapa – Rio de Janeiro – RJ

Horário Previsto: 09:00h às 18:00h

Horário de Início: 10:30h

Horário de Término: 14:30h

 

Membros da Comissão Executiva Nacional presentes:

 

  • Nuno Coelho (APN’s / SP)
  • Gilberto B. Campos (Círculo Palmarino / ES)
  • Marcos Cardoso (CONEN / MG)
  • Haroldo A. Vieira (MNU / RJ)
  • Jorge Damião (CEAP / RJ)

 

Membros da Coordenação Política Nacional presentes:

 

  • Lia Vieira (ASPECAB / RJ)
  • Osvaldo Sergio Mendes (SINDSPREV / RJ)

 

Membro da Comissão de Regimento Interno do CONNEB presente:

 

  • Yedo Ferreira (MNU / RJ)

 

Membros do Escritório Operativo Nacional presentes:

 

  • Ruth Pinheiro (CADON / RJ)
  • Helio Ventura (Colaborador / RJ)

 

Demais presentes:

 

  • Matteus Elias L. de Mello (não informou instituição)
  • Maciel Silva dos Santos (UNAT / RJ)
  • Ana Maria Fernandes Lima (não informou instituição)
  • Ordenael da Silva (COLYMAR / RJ)
  • Geilson Pereira (MNU / RJ)
  • Rosilene Torquato (APN’s / RJ)
  • Maria Aparecida dos Santos (APN’s / RJ)
  • Suzete Paiva (Galaune Iyle Oya / RJ)
  • Eliene Isabel Xavier (APN’s / RJ)
  • Mario Rosa (CEAP / RJ)
  • Sidney Nascimento (UNAT / RJ)
  • Larissa Mello (ONG Brasil Brasileiro / RJ)
  • Paulo Amendoim (UNEGRO / RJ)
  • Leny Claudino Souza (MNU / RJ)
  • Clátia Regina Vieira (FEMN / RJ)
  • André Borges (IPDH e Círculo Palmarino / RJ)
  • José Lúcio da Silva (UNEGRO / RJ)

 

Total de pessoas presentes: 27 pessoas

Total de instituições representadas: 15 instituições

 

RELATÓRIO

 

Relator: Helio Ventura

 

  • Ruth Pinheiro: Fez histórico do CONNEB informou que há um déficit de mais de R$ 19.000,00 (dezenove mil reais) no Escritório Operativo Nacional.
  • Haroldo Vieira: Sugeriu fazer uma reflexão macro sobre o CONNEB para resolver politicamente.
  • Marcos Cardoso: Em MG ocorreu a Assembléia Nacional de Lançamento do CONNEB (Belo Horizonte, 20 a 22 de abril de 2007). As instituições anfitriãs custearam a assembléia, mas houve problemas referentes à hospedagem, o que acarretou dívidas e estremeceu as relações com instituições parceiras em MG, como o SESC. O valor chega a R$ 27.000,00 (vinte e sete mil reais). Marcos ficou de encaminhar o scanner de um documento de protesto.
  • Yedo Ferreira: Disse que temos de assumir que os próprios negros causaram esta situação, pois houve ajuda da parte do Governo. Entende que a questão é política e, pois, deve ser resolvida politicamente. Lembrou que são 73 instituições na Coordenação política Nacional (COPON), e sugeriu que cada uma deveria contribuir com uma quantia para o CONNEB.
  • Haroldo Vieira: Optou pela continuidade do CONNEB e pela realização da Assembléia de Encerramento. Salientou que a dinâmica do Movimento Negro é diferente das de sindicatos e partidos, que possuem arrecadação. Não possuímos verbas mensais, cada instituição se estrutura da sua forma. Acredita que temos condições de resolver o problema. Também disse que tínhamos de decidir onde seria a Assembléia de Encerramento, acha que o RJ conseguiria realizá-la.
  • Sr. José Lucio: Lembrou que o RJ fez a Assembléia de Convocação do CONNEB (13 e 14 de janeiro de 2007) e deve fazer o encerramento do Congresso já convocando o II CONNEB sob o eixo das Reparações, onde deveríamos elaborar um manifesto com nosso posicionamento de questões de conjuntura política nacional e mundial.
  • Nuno Coelho: Observou que hoje já não temos mais todas as instituições no CONNEB, exemplificando com a notícia de que o Edson França (UNEGRO / SP) teria dito que sua instituição não participaria mais do CONNEB. Disse que devemos regatar as coisas boas que fizemos até aqui no CONNEB e fazer uma publicação e que o nosso ideal de formular o “Projeto Político do Povo Negro” ainda está distante. Salientou que atualmente a questão racial ao está na pauta do Governo.

 

Questão de ordem de Marcos Cardoso: Formar mesa para organizar melhor a reunião, inscrevendo as pessoas e cronometrando as falas.

 

·        Gilbertinho: É da opinião de que o CADON e as instituições de MG não devem ser penalizados pelo esforço que fizeram em prol do CONNEB. Temos de empenharmos em pagar as dívidas. Entende que o dinheiro deve partir de nós mesmos. Ele não se propõe mais a entrar em gabinetes de político para pedir dinheiro. Temos de fazer uma campanha com esse intuito. O Movimento Negro, por seu um movimento de esquerda, se acostumou à pratica de não pagar na hora e de não prestar conta, mas teremos de honrar este compromisso. Opinou que devemos apostar na continuidade do CONNEB e acredita que o relatório desta reunião deflagraria uma reaglutinação das pessoas em relação ao CONNEB, pois a situação do negro não mudou, não melhorou. Se não nos levantarmos contra isso vamos engolir a seco o que fazem conosco. Assegurou que no ES conseguiram fazer uma assembléia para 200 pessoas com apenas R$ 500,00 (quinhentos reais). Portanto, essa Assembléia de Encerramento deve estar “no tamanho de nossas pernas” e não pedir mais dinheiro. Portanto, não podemos ficar calados e aceitar o que tem ocorrido. Temos de pagar as dívidas. Para Gilbertinho, o CONNEB não acaba enquanto houver negros oprimidos.

·        Ruth Pinheiro: A União Africana sondou a situação do CONNEB e fomos consultados sobre as últimas declarações polêmicas do Deputado Federal Jair Bolsonaro. Portanto, o CONNEB constitui-se numa referência nacional e internacional sobre o posicionamento dos negros organizados no Brasil.

 

Finalmente foi dado o encaminhamento à questão de ordem de Marcos Cardoso, e Gilbertinho passou a inscrever as pessoas, cronometrar o tempo e coordenar os trabalhos.

 

A sugestão de pauta foi:

  1. Questão Financeira (dívidas)
  2. Questão Política (continuidade ou não do Congresso)

 

Iniciou-se uma discussão sobre a ordem dos pontos de pauta. Geilson solicitou uma questão de ordem, mas fez uma fala defendendo que se fizesse uma prestação de contas antes de se resolver as pendências financeiras. Por fim, houve uma votação, onde decidiu-se que a questão política deveria ser tratada antes da financeira, até porque as deliberações políticas incidiriam sobre as questões financeiras. Resolvido isso, foram respeitadas as inscrições, privilegiando aqueles que ainda não haviam falado, para só depois conceder o direito aos reinscritos.

 

  • Osvaldo Mendes: A conjuntura que passamos é importante, e por isso temos de continuar o CONNEB. Todo dia há um ataque racista. Ele se pôs ao dispor para o que preciso for.
  • Sidney Nascimento: Não acha que o CONNEB tenha fracassado, pois ele deu possibilidade de unidade de um povo em caráter nacional. Concordou com o Sr. José Lúcio: defende um II CONNEB. Também é de acordo que a dívida seja paga.
  • Suzete Paiva: No CONNEB tínhamos “muito cacique e pouco índio”. Acha que as dificuldades que ocorreram são naturais. Do ponto de vista político, observou que estamos isolados, sem interlocução com ninguém. E pior: a vaidade causou rachas. A maioria da direção é masculina e a toda hora “colocava quilo na mesa”. Temos de resgatar essa história “botando a bola no chão”. Entende que “não tem entidade certa”, estamos todos na mesma canoa. Sobre a prestação de contas, disse que havia os “experts”, que agora deveriam se pronunciar.
  • Rose Torquato: Questionou: o CONNEB foi para quem? Para a população negra? Lembrou que a intenção inicial era a de contrapor ao Estatuto da igualdade Racial. As assembléias eram esvaziadas, pois as instituições aproveitavam para se reunir nacionalmente em congressos paralelos. Disse que só estávamos naquela reunião porque a questão financeira “explodiu”, e se ao invés de dívidas tivessem sobras seria diferente. Disse ainda que se a conta será dividida, todos deveriam ser convocados e informados.
  • André Borges: Vê que há forças políticas que querem continuar conversando com o governo ao invés de compor com seus pares. Sentenciou que temos de nos tornar uma força política, o que de fato nunca fomos, e esta força seria o CONNEB. Referiu-se ao tempo que não são realizadas reuniões e disse parecer sabotagem.
  • Paulo Amendoim: Disse que não se sabe ao certo quanto entrou de verba para o CONNEB, e que quem não prestou contas deve devolver o dinheiro ao CONNEB. Disse ainda que quem consegue posição no Governo recebe “cala boca”.
  • Ordenael da Silva: Também concordou que o CONNEB deva ser levado adiante. Lembrou que o COLYMAR sediou reuniões do CONNEB nos âmbitos estadual e nacional e não foi citado em uma antiga publicação. Finalizou dizendo que queremos ascensão do negro com transformação social.

 

A partir deste ponto foi concedida a palavra para os reinscritos.

 

  • Yedo Ferreira: Também optou pela continuidade do CONNEB e pela realização da Assembléia de Encerramento no RJ. Temos de construir nossa força política. Acredita que o CONNEB será sim o “Projeto Político do Povo Negro”, pois o projeto que está em vigor é o da elite, e por isso temos figuras como o Bolsonaro e outros.
  • Jorge Damião: Lembrou um lema do início do CONNEB, o de que “estávamos por nossa própria conta”, e enquanto esse lema foi seguido as coisas aconteciam, mas depois ocorreram os rachas por conta das disputas políticas. Ainda assim, somos vitoriosos, pois discutimos questões importantes para o nosso povo. Também concorda que o RJ tem condições de sediar a Assembléia de Encerramento do CONNEB, pois não deixou dívidas da Assembléia de Convocação.
  • Sr. José Lúcio: Não podemos correr da dívida. Este Estado deve nos reparar. Em 1991 em SP criaram a CONEN, que segundo ele não deu a resposta que precisávamos, além de ter “bombardeado” o CONNEB.
  • Marcos Cardoso: Contrargumentou  que a idéia de construção de “Projeto” é anterior à criação da CONEN, e é difícil responsabilizar qualquer instituição por algo que é do processo histórico. Além disso, a CONEN participou de todas as assembléias. Concorda que devemos nos empenhar no processo de encerramento do CONNEB, mas em outros moldes, diferentes dos que ocorreram antes. Também não pensa nesse encerramento mais na BA, pois o estado já deixou alguns “furos”. Portanto, temos de avaliar essa nova conjuntura e fazer uma reação.
  • Ruth Pinheiro: Apresentou os relatórios de prestação de contas do CONNEB e os colocou à disposição de quem quisesse. Justificou que houve um problema na impressão do jornal, acarretando a indevida omissão do nome do COLYMAR na publicação. Agradeceu à Lia Vieira por ter se cotizado com ela para proporcionar o lanche servido na reunião e ao Osvaldo Mendes pelo comprometimento. Reiterou que o CONNEB se tornou uma referência positiva tanto para dentro quanto para fora de nossa comunidade.
  • Haroldo Vieira: Mensurou que o desafio de fazer este Congresso é gigantesco. Disse que se o Edson França resolveu sair é uma posição dele, mas devemos continuar o processo. Acha que os baianos não tiveram a disposição que o RJ tem para realizar a Assembléia de Encerramento, que deve ser ainda em 2011. Se as pessoas estão nos procurando para saber sobre o CONNEB é porque elas têm expectativas. Informou que há muito racismo em plataformas da Petrobras. Temos de “pôr o bloco na rua”.
  • Nuno Coelho: Explicou que não disse que desacredita no CONNEB, até por isso viajou para participar da reunião, mas gostaria de sair dali com uma pauta nacional. Disse que o movimento negro brasileiro perdeu o rumo. Demoramos a reagir às declarações do Deputado Bolsonaro. Se tivéssemos um fórum nacional que nos representasse seria diferente. Também disse que, se não houvesse contraponto, concordava que a Assembléia de Encerramento fosse realizada no RJ, ou até mesmo no ES.
  • Rose Torquato: Entende que o que atrasou o processo foi o embate de forças. Sugeriu que recuperássemos todas as propostas feitas até agora em uma plenária anterior à grande Assembléia de Encerramento. Alertou que quando procuram o CONNEB temos de diferenciá-lo das instituições. Ninguém é dono de nada, tudo é fruto do esforço coletivo. Acha que se alguém sistematizar as propostas haverá briga por isso, pela autoria da sistematização, por questão de embate de forças e conflito de vaidades.
  • Suzete Paiva: Acha que a CENA deve rever sua metodologia. Ela não sabe se conseguiremos elaborar o “Projeto”, mas ao menos devemos traçar linhas gerais. Também acha que devemos compilar nossas propostas, que estão apenas nas cabeças e palavras das pessoas.
  • Jorge Damião: Propôs que, para preservar o Nuno Coelho que citou a saída de Edson França e da UNEGRO, deveríamos encaminhar uma carta solicitando uma posição formal da UNEGRO referente à sua continuidade ou não no processo de construção do CONNEB.
  • Marcos Cardoso: Propôs elaboração de documento público acerca de uma série de questões para expressar nosso posicionamento e nossa unidade, o que não necessariamente seria um “Projeto”. Também propôs elaboração de uma agenda nossa. Informou que a ONU fará evento pelo Ano Dops Afrodescendentes: Fórum Social Afrodescendente das Américas no Brasil, mais especificamente na BA, no intuito de pensar novas propostas para os afrodescendentes das Américas. Propôs a elaboração de uma carta convocando as instituições para se interarem deste Fórum.
  • Gilbertinho: leu as propostas apresentadas até aquele momento.
  • Lia Vieira: Reiterou o que disse Gilbertinho: devemos fazer uma assembléia “do tamanho de nossas pernas”.
  • Sr. José Lúcio: Propôs o mês de novembro de 2011 para realização da Assembléia de Encerramento do CONNEB, aproveitando o Mês da Consciência Negra. Sugeriu também o local: a UERJ.
  • Nuno Coelho: Não negou o que disse, mas fez contraproposta ao que sugeriu Jorge Damião: que se encaminhasse carta para todas as instituições que compõem a CENA para que se posicionassem acerca de sua permanência ou não no processo de construção do CONNEB.
  • Ruth Pinheiro: Propôs o mês de setembro de 2011 para realização da Assembléia de Encerramento do CONNEB.
  • Haroldo Vieira: Reafirmou que a Assembléia deve ser realizada ainda em 2011.

 

Diante das posições convergentes, a realização da Assembléia de Encerramento do CONNEB foi confirmada para o RJ, por aclamação. As pendências financeiras do CONNEB serão agregados ao orçamento da Assembléia de Encerramento no RJ, tanto os R$ 19.000,00 (dezenove mil reais) do Escritório Operativo quanto os R$ 27.00,00 (vinte e sete mil reais) de MG.

 

·        Marcos Cardoso: Propôs formar uma Comissão menor para tocar a organização no RJ.

·        Clátia Regina: Disse ser desrespeitoso criar uma Comissão, pois já existe a Comissão Executiva Estadual do RJ (CEE/RJ), que não fora convocada para a reunião. O que devemos fazer é empoderá-la.

·        Jorge Damião: Concordou com Clátia sobre aclamar a CEE como Comissão Organizadora, mas salientou que precisávamos “cutucar” a CENA. Não pensamos em alijar ninguém do processo.

·        Yedo: Lembrou que na Reunião Ampliada em POA/RS (23 a 26 de julho de 2009) tirou-se uma Comissão para organizar esta última assembléia.

·        Geilson Pereira: Propôs que além da comissão tirada, a CEE/RJ também deve acompanhar o processo de organização.

·        Marcos Cardoso: Propôs que se tirasse 2 membros da CENA que estivessem presentes naquela reunião para acompanhar o processo de organização junto à CEE/RJ. Indicou Gilberto Campos e Nuno Coelho.

·        Clátia Regina: Sugeriu realização de uma reunião da CEE/RJ o quanto antes para dar ciência dos fatos aos demais membros e obter um posicionamento oficial. Foi dado um prazo de até 15 dias para este posicionamento da CEE/RJ.

·        Yedo Ferreira: Sugeriu data da próxima reunião: 04 de junho de 2011.

 

Os membros da CENA deverão elaborar dois documentos:

1.      Manifesto do CONNEB com posicionamento sobre as declarações discriminatórias do Deputado Ferderal Jair Bolsonaro, além de outras declarações racistas.

2.      Carta de Apoio do CONNEB para a família de Abdias Nascimento, Patrono do CONNEB, que se encontra hospitalizado em estado gravíssimo.

Por fim, ficou acordado que o mês de realização da Assembléia de Encerramento será em outubro de 2011.

 

Deliberações da Reunião:

 

1.      Dar continuidade ao CONNEB.

2.      Realizar a Assembléia de Encerramento no RJ.

3.      As pendências financeiras do CONNEB serão agregados ao orçamento da Assembléia de Encerramento no RJ, tanto os R$ 19.000,00 (dezenove mil reais) do Escritório Operativo Nacional quanto os R$ 27.00,00 (vinte e sete mil reais) de MG.

4.      Mês de realização da Assembléia de Encerramento no RJ: outubro de 2011.

5.      A CEE/RJ organizará a Assembléia de Encerramento no RJ. Gilberto Campos (Circulo Palmarino / ES) e Nuno Coelho (APN’s / SP), como membros da CENA, acompanharão o processo de organização.

6.      Encaminhar carta solicitando uma posição formal de todas as instituições que compõem a CENA de sua continuidade ou não no processo de construção do CONNEB.

7.      Elaborar sobre as declarações discriminatórias do Deputado Federal Jair Bolsonaro, além de outras declarações racistas.

8.      Elaborar Carta de Apoio do CONNEB para a família de Abdias Nascimento, Patrono do CONNEB, que se encontra hospitalizado em estado gravíssimo.

9.      Há perspectiva da realização de um II CONNEB para cobrar a implementação das propostas resultantes do primeiro Congresso.

10.  Próxima reunião no RJ: 04 de junho de 2011.

REUNIÃO DA COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO CONNEB (CENA)

CONGRESSO NACIONAL DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL (CONNEB)

 

ATENÇÃO:

 

REUNIÃO DA COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO CONNEB (CENA):

 

Dia 30 de abril de 2011

Horário: 09:00h às 18:00h

Local: Rio de Janeiro (local ainda será confirmado, possivelmente COLYMAR ou SINDSPREV)

 

CADON / Escritório Operativo Nacional

(21) 2533-1171

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